Feliz Dia da Descoberta da Experiência

O que faz de um homem um pai? O nome no registro de nascimento? O DNA? O jornalista gaúcho Alexandre Elmi,  49 anos, foi pai duas vezes, em momentos e formatos diferentes. Gianluca, 18 anos, veio de forma biológica, quando Elmi ainda buscava se firmar na carreira e estava se separando da mãe do bebê. Dezessete anos depois, já em outro casamento, depois de ter experimentado os desafios que buscava na profissão, chega Alice, hoje com um ano e meio. Embora, dessa vez, carreira e casamento estivessem estabilizados, foi a forma de gerar um filho que o pegou de surpresa: a gravidez não fluía, e a paternidade teve de chegar por meio da adoção. E o que faz então de um homem um pai? Envolvido com a arrumação dos cabelos da filha, em casa, antes de um passeio com ela pelas ruas do bairro onde mora, o Bom Fim, Elmi responde essa pergunta com os olhos marejados.

“A entrega, a sensação de ser pai, acontece mesmo com o suor do envolvimento, acordar de madrugada, sentir que a gente perdeu o controle do nosso tempo, que o nosso tempo agora é da Alice, das demandas de pai. É quando a gente sente que foi sugado para um outro ponto e a gente entende que hora de aproveitar o momento, se entregar à situação, reavaliar o próprio conceito de paternidade”, diz ele.

A adoção de Alice aconteceu depois de muitos anos de tentativas de fertilização que não eram bem-sucedidas. Depois de muitas expectativas e frustrações, Elmi e Ana Fritsch, sua esposa, entraram na Cadastro Nacional de Adoção em busca de uma criança, não importando sexo. Como o processo é muito lento o Brasil e a Justiça havia restringido o perfil da criança, estipulando que tivesse até 3 anos de idade por entender que o casal precisava vivenciar a experiência de cuidados com um bebê, Elmi e Ana recorreram também a uma iniciativa prevista nas regras de adoção: a busca de um filho ou filha diretamente nas comarcas das cidades. Até que um dia, o telefone tocou, havia uma criança, ainda na barriga, e seria filha deles:

“Quando o telefone toca, nasceu. Não tem como voltar atrás. Não é supermercado. E se eu não aceitar, qual vai ser o destino dessa criança? Então, nasceu. Entre a ligação da assistente social e o nascimento da Alice, foram apenas 34 dias. Nove meses em 34 dias”.

Com Alice nos braços, Ana inclusive conseguindo amamentá-la, numa experiência que virou notícia em vários jornais, revistas e sites (Primi Stili contou essa história aqui), a família foi se formando. E Elmi recriando pactos com a vida.

“No meu sentimento, a primera paternidade é igual à nova paternidade. Mas, na experiência, foi diferente. Na experiência, a primeira foi um pouco mais incompleta nesse sentido, da falta da presença física, do bom sofrimento da paternidade, da convivência, do compromisso, da mudança da rotina. Talvez o maior presente da paternidade foi a descoberta da experiência. Poder viver e prestar mais atenção no processo e não no resultado. De valorizar uma cainhada até a escola. Porque, se, por um lado o filho te tira do controle do teu tempo, por outro lado permite observar o tempo de uma maneira privilegiada, entrar num outro ritmo, entender como um banho pode ser complicado, como fazer uma comida não é algo tão simples, como botar uma roupa pode demorar uma meia hora, que minhas decisões profissionais, hoje, contemplam ter tempo pra ela. Não me venha mais com trabalho das 8h às 20h. Minha paternidade me fez renascer”.

Com Elmi, Gianluca e Alice, a gente deixa aqui o nosso Feliz Dia da Descoberta da Experiência ou Feliz Dia dos Pais!



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