Blog

Moda e estilo, arte e cultura, viagem e comportamento... E o que mais você imaginar

Estilo Viagem dos sonhos Dê o play e saiba tudo sobe a coleção verão 2015, desfilada na SPFW.

Coluna Ex-fada fatal

Se alguém quiser entender como os desenhos animados – sobretudo os da Disney – foram impactados pelos tempos politicamente corretos, aqui vão duas palavrinhas: Tinker Bell. Ela mesmo, a velha e boa fada Sininho, que voltou rebatizada e repaginada para as novas gerações.
No clássico Peter Pan (1953), baseado na peça do escocês de J. M. Barrie, Tilin-
tim (seu nome oficial até então) era, com o perdão do meu francês, uma periguete. Desenhada com a cinturinha de pilão das pin-ups (sua inspiração foi a atriz Margaret Kerry, e não Marilyn Monroe, como circulou em um antigo e falso boato), ela tinha cenas abertamente sensuais, com closes insistentes em seu derrière. Apaixonada por Peter, Sininho, de quebra, tentava causar a morte de sua rival Wendy.
Mais de 50 anos depois, elevada a carrochefe de uma franquia de filmes, Tinker Bell retornou, em versão digitalizada, com um corpo menos curvilíneo e um rosto mais infantil. Passou de fada fatale a fada atrapalhada. Desencanou de Peter e tocou a vida com suas amigas encantadas. Mas, nos Estados Unidos, pátria da correção política, ainda há quem considere Tinker sexy demais, quem ache que seu vestido de folha continua muito curto.
Já por aqui, no Brasil, tenho um amigo intrigado porque o filho só quer ver os filmes da fadinha. Talvez ele não tenha percebido que o garoto não está se reconhecendo no espelho, e sim alimentando uma primeira e precoce paixão.


Pai de Teresa, 6 anos, e Julieta, 4, Ricardo Calil é diretor de núcleo da Trip Editora e crítico de cinema da Folha de S.Paulo

Facebook Twitter E-mail

Edição #13 Confira a última edição da nossa revista
ver