Pai registra os momentos de manha do filho em blog
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Pai registra os momentos de manha do filho em blog
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por Clarice Reichstul
Quando eu era criança, em São Paulo, ia sempre na rua 25 de Março com a minha avó comprar tecido para fazer roupas de festa. Ela achava que, se me levasse nos bar mitzvah dos netos de suas amigas, iria encontrar um bom marido judeu para mim. Eu devia ter 10 anos, não estava muito interessada em nenhum marido, quanto mais bom ou judeu. Mas adorava o ritual das visitas à 25 de Março e suas lojas de tecido, seguidas das indefectíveis idas à costureira, a dona Idalina. Ela era um pouco chata e ranzinza, vivia implicando com o gosto da minha avó. Entro o gosto das duas, eu ficava com o meu, mas sempre perdia para o lado mais forte (que variava de acordo com o humor da minha avó e da costureira). passear em loja de tecidos até hoje é uma diversão sem igual para mim. Começa pelo cheirode pano, goma, um cheiro de coisa antiga que continua mesmo em lugares novos e com luz branca e feia. Depois vêm as milhares de cores que insistem em chamar a atenção do olhar, arco-íris de estampas míudas, graúdas, xadrez, litras e bolinhas. Cada cortede tecidoguarda a promessa de uma roupa linda, feita com carinho a puro, cheiro de futuras festas e diversão.
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