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Coluna Por que se escreve?

É comum pensar que, para escrever um livro, é preciso ter o que contar. Premissa errada. Escritores escrevem por vários motivos e nem sempre a condição para escrever é ter, ou saber, o que contar. Em literatura infantil, mais do que ter o que contar, muitos acreditam que, para escrever para crianças, há que se ter o que ensinar. Errado também.
Há certamente aqueles escritores que sabem o que contar. Descobriram algo e a sensação desse saber os faz escrever para compartilhar o que descobriram. Isso os estimula, como nos estimulamos ao passar um conhecimento qualquer adiante. Eles convidam os leitores a percorrer seu caminho na compreensão das coisas.
Mas há também um certo número de escritores que escrevem não porque descobriram algo; mas, ao contrário, porque o desconhecem. Escrevem para perguntar.
Escrevem porque, naquele momento, a compreensão da realidade lhes escapa. Sabem menos do que antes sabiam. Sua escrita assume um papel de lugar habitável, já que a segurança do mundo desapareceu à sua volta. Escrevem para não desaparecer.
Enquanto alguns autores encontram na literatura infantil um campo de ensinamentos e de construção de caráter e, por isso, escrevem, outros veem nesse universo da criança um campo aberto por inquietudes e tentam dividir com ela não o que sabem, mas o que, assim como ela, desconhecem.
Ambos serão chamados autores de livros de literatura infantil, embora tenham tão pouco em comum no impulso criativo que os leva a escrever. O pintor Iberê Camargo, quando indagado sobre por que pintava, respondeu: “Porque não sei que sou”. E você, por que escreve?


Odilon Moraes, 44 anos, é escritor e ilustrador de títulos como A princesinha medrosa (2002). É pai de João, 7 anos, Francisco, 3, e Luísa, 1

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